LUTO: Cantor e compositor lapense Zeca Bahia morre aos 67 anos

Quarta, 07 de Fevereiro de 2018

Cultura

“Um dia desses a gente quebra o zumbir dos relógios e acerta os ponteiros, porque ainda resta o amor, a poesia, a rima capenga e a cachaça”, escreveu um dia um dos maiores de nossos poetas quando o mesmo enfatizou “o tempo e o destino”, uma das suas últimas obras.

 

Há aqueles que vem e vão pelos muitos portos do mundo. E há aqueles que apenas vão, ficando a saudade e a imortalização através da arte. José Ramos Santos, o nosso Zeca Bahia, acaba de nos deixar, mas através dele permanece um grande legado. Lapense de corpo e alma, um filho ilustre desta terra que muito nos orgulha. Zeca representou Bom Jesus da Lapa com a sua poesia ecoando pelos quatro cantos do país e por mais de 40 países mundo afora, erguendo a nossa cultura para o patamar mais alto possível. Aos 67 anos, nos deixa como um veleiro que acabara de repousar. 

 

Foram 286 canções gravadas. Uma delas, Porto Solidão, foi sucesso em todo Brasil na voz de Jessé em 1980 e foi regravada pela enésima vez recentemente, por Raimundo Fágner. A história de Porto Solidão iniciou em 1979, em Vila Mariana, São Paulo, quando o compositor em um boteco a escreveu e musicou a sua principal obra. Porto Solidão também teve destaque na voz Altemar Dutra e do cantor Daniel. Também em 1979, sua canção Ave Coração foi consagrada na voz de Raimundo Fagner e gravada no LP Beleza, um dos principais títulos da vasta discografia de Fagner. Com versão em espanhol por Ferreira Gullar, um dos poetas mais conhecidos mundialmente, “Ave Corazon” foi lançada também na Espanha na mesma época.

 

Zeca Bahia nasceu em 19 de março de 1950, na Praça do Livro, em Bom Jesus da Lapa e descobriu que tinha dom para compor aos 10 anos. Ao lado de Orlando Fraga, Nilzo e Evandro Brandão, Zeca fundou a banda Os Terríveis. Partiu ainda jovem para Belo Horizonte, Brasília e depois São Paulo, mas não sobreviveu só de música. Trabalhou na Abril Cultural, Folha de São Paulo; foi revisor de livro jurídico, de poesia e romance. Entrou no jornalismo, mas não concluiu o curso por conta da vontade de fazer arte que era maior. A música e a poesia o tirou desse caminho e o colocou no caminho da imortalidade, onde através de tudo que ele escreveu, o poeta lapense será sempre lembrado por qualquer canto do país. Zeca Bahia foi também um grande agregador da nossa cultura local, sendo Diretor de Cultura no município recentemente na atual gestão. A sua partida deixa a cidade de Bom Jesus da Lapa em luto. Perdemos um dos nossos maiores artistas, mas que através do seu legado será eternamente lembrado por todos nós.

 


Murillo Campos - Assessoria de Comunicação


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